
Dois lados
Mas nunca duas faces
Um lado é uma criança
Sentimental descuidada
Ingénua dada de si
Olhando o mundo em giros
Daqui para ali
Rodeado de amigos
Sem ódio sem mágoa
Sem saudade de casa
Num universo de mistérios.
Dois lados
Facetas sim
Se forem ásperas
Esse lado vejo um velho
Ele é intolerante e mais nada
Só frieza e intelecto
Sem ressentimentos sem provas
Sem sentimentos sem prosa
Sensato e sistemático
Solitário e severo,
Atípico disciplinado,
Olhar intuitivo
Ou melhor objetivo
Sereno abatido.
Cansado do que é repetido
Sem vento sem sentido
Só barcos sem remos
Navegando no abismo.



O mais triste é que eles se amavam,
Jovens demais para saber amar:
Não vai mais embora
Vem e fica comigo,
Aquela dor já não importa
O que importa são os laços
Traços além da troca.
De uma ligação inefável
Que se propagou no eterno
Sonhos e noites em claro
Perguntando pro céu:
Será se ela ainda se lembra?
O vento quente
Soprava na face,
Eu te olhando o resto
Do mundo se desarmava
Enquanto fazia
Leitura nos seus lábios
Em cima daquele terraço
Iluminados pelo centro da cidade.
Aquela sua velha promessa,
E as luzes de um velho letreiro
Que se apagou com um tempo,
Apagam mas vão reacendendo.
Será que ela ainda se interessa?
Álbuns de recordação
Válidos vibrando
Proliferam no universo
Risos, pois são só e
Apenas bobagens do coração.
Me expliquei menos amor
O contexto é o que vale.
Levo ela onde for
Meu terço, minha bagagem
Mas dou valor para as palavras.
Sou só o mensageiro,
Tenho moradas e destinatários
Transformando histórias tristes
Em poéticas realidades.
Sem correspondente
Sem direção
Te levo da minha forma
Minha forma de reação
Minha fórmula e expressão
Minha autêntica inspiração.
As coisas não são
Como a gente pensa,
Mentaliza, a vida não
É como a gente
Mais gostaria.
Elas simplesmente
São o que são.
Bolei um verso lindo
E perguntei pro céu:
Será se ela se ainda lembra?
Quando tudo valia a pena
Eu navegava
Seus barquinhos de papel.
Sem remos sem velas
Sem danos, sequelas e o
Sol brilhando pela janela
Eu sei que sempre amei
E pra sempre só amo ela.
depois q ela sai:
gosto dos detalhes que ficam
calcinha sobre meu poof
brincos caidos no chao
cabelos no travesseiro
manchas de batom
cheiro do perfume
sobre os lençóis
sobre o ar
paredes marcadas com um sentimento
que eu ja nao sei muito sobre
mas eu sei que ela entende bem
vi no seu olhar quando se despedia de mim
naquela manhã fria
onde so debaixo daquelas mantas
da minha cama
seria possivel sobreviver a uma
terrível hypothermia ;
quando eu sei que ela vem
meu coração é capaz de
bater 1000 vezes num segundo,
quando ela sai também
e em poucos segundos
um quarto pequeno parece ficar gigante
tão grande que nenhum movel preenche,
tao grande que parece vazio
talvez é isso
tao grande quanto o vazio,
uma vazio grande e cheios de detalhes
sobre ela e os seus acessórios físicos
marcados no quarto que antes
parecia ser pequeno
e o restante como,
como conversamos por horas
sem que morresse o assunto
a esperança dela sobre o futuro
um futuro juntos,
-eu sou muito desapegado,
tenho amor em ser só
não foi fácil me despedir
mas também não gosto de mentir.
mas também não consigo
desmistificar esse abismo,
fato é que ele me inspira,
o que me importa é a busca
o momento
eu te amei e te disse
“se concentra no aqui, agora”
eu me doei por partilha;
como fantasmas o que
e o que quer que aconteça
alguma coisa que fica
e outros detalhes:
o invisível,
o silêncio,
e imagens,
na minha cabeça


